Estamos às vésperas de mais uma campanha eleitoral. Em 1º de Agosto próximo inicia-se a fase de propaganda nos meios de comunicação do País, visando o convencimento do eleitor por este ou por aquele candidato. Desde a queda do Regime Militar, que teve seu desfecho a partir da Campanha Diretas Já, em 1984, e se consolidou efetivamente com a promulgação da Constituição de 1988, já são decorridos 26 anos. E neste período cinco brasileiros tiveram a honra de ocupar o Palácio do Planalto, em Brasília, escolhidos por voto popular. E entre estes, apenas um deles (Fernando Collor de Mello) foi deposto por voto indireto, via Congresso Nacional, acusado de corrupção. Isto, por si só, comprova de que o regime democrático consolidou-se em nossa história, tão pródiga em golpes de estado e quarteladas em tempos mais antigos. E isto é bom.
Entretanto há um longo caminho a se percorrer – e uma reforma eleitoral viria ainda a bom tempo – para o aperfeiçoamento do regime democrático.¬ Por exemplo, financiamento público de campanha. Isto inibiria a corrupção eleitoral, como compra de votos pelos próprios candidatos, abuso do poder econômico e/ou financiamentos escusos de grupo para eleger candidatos que lá nas altas esferas defenderão os interesses de seus financiadores, em detrimento aos altos interesses da coletividade. Mas para que isso ocorresse, seria necessário em primeiro lugar limitar o número de partidos políticos que, de acordo com o TSE, são hoje 29 os inscritos. Um absurdo institucionalizado. Entenda-se. Esta reforma não será fácil, uma vez que quem detém o poder de reformular as leis são exatamente eles, os políticos. E estes, costumam legislar em causa própria. Quase sempre. E certamente não o farão contra seus próprios interesses. Preferem deixar com está para ver como é que fica que assim está bom.
Daí que hoje, às primeiras luzes da campanha eleitoral de 2010, temos nada menos do que 10 (dez) candidatos à presidência da República. Pois, além de José Serra (PSDB) Dilma Rouseff (PT) e Mariana Silva (PV), há mais sete dos candidatos dos chamados partidos nanicos. Aonde irão estes? Por certo contar boiada, para, na eventualidade de segundo turno, apresentarem-se com a barganha: Meus votos por um ministério. Meu partido, por uma sinecura. Meu programa partidário, por posto de comando de uma Estatal.
É esta enfim, a Babel eleitoral com que vive o País, ainda na busca de um regime democrático, talvez utópico, porém que seja perfeito.
