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Sérgio Fonseca - Email: s.de.fonseca@bol.com.br
“Do ventre das mulheres, da cabeça de juiz, da boca das urnas, nunca se sabe o que poderá sair” já dizia o eminente e pragmático político mineiro Benedito Valadares. A meu ver, nos dias de hoje, isso se aplicaria também à Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as ramificações tentaculares dos negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira.
Essa CPI a primeira do governo Dilma Roussef, é mista, abrangendo tanto a Câmara como o Senado Federal. O seu objetivo declarado é esclarecer até onde chegou o corretor zoológico Carlinhos Cachoeira, que explorava o bingo ilegal em Goiás e o seu envolvimento com autoridades e políticos de todos os partidos, em vários estados, DF inclusive. Seu impulsionador inicial foi o ex-presidente Lula, que a viu como uma valiosa ferramenta para desviar o foco da atenção pública com o “mensalão”, cujo julgamento deverá sair ainda este ano, o que poderá complicar o período eleitoral Esse julgamento é considerado extremamente danoso às hostes da base aliada do Planalto.
Jorge Brennand em artigo no blog da “Tribuna da Imprensa”, de 21 de abril último, diz que “o deputado federal Amaury Teixeira (PT – Ba), alertou o poder demolidor que o Caso Cachoeira pode ter na impoluta política brasileira, pois corre à boca pequena que são 126 os seus coleguinhas de ofício – deputados federais – que estão envolvidos, de várias formas, com os negócios obscuros do empresário zoológico Carlinhos Cachoeira”.
Foi a partir de uma CPI, em junho de 1992, que o ex-presidente Fernando Collor de Mello acabou sofrendo o impeachment. Em 1993, o Congresso Nacional instalou a CPI do Orçamento, que trouxe à tona, desvios de dinheiro público, comandados por parlamentares e funcionários do Legislativo. A CPI do Orçamento originou a cassação de seis parlamentares, a absolvição de oito e a fuga política de quatro, que renunciaram para escapar da inegibilidade e punição.
O PT que, quando era oposição, defendia a ética e o combate à corrupção, nessa época se mostrava particularmente intransigente nas CPIs. Até à CPI dos Correios, em maio de 2005, que levou ao indiciamento dos atuais réus do mensalão, descoberta totalmente deletéria para o PT e seus aliados. A partir desta data, o governo petista controlou com mãos de ferro CPIs como a das ONGs e a dos cartões corporativos, que acabaram em pizza.
Rui Falcão, deputado paulista, presidente nacional do PT, achou que, apoiando a CPI de Cachoeira, causaria sérios danos à oposição. Em particular ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSD. Nada foi comprovado contra Perillo e sim, contra Agnelo Queiroz, governador petista do Distrito Federal e à empresa Delta, umbilicalmente ligada a várias obras, tanto federais como estaduais, ora sendo suspeita de ter cometido várias fraudes.
O contraventor Carlinhos Cachoeira foi transferido do presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para a Penitenciária da Papuda em Brasília. O senador Pedro Simon, imediatamente externou sua preocupação de que ele seja assassinado, por ser um verdadeiro arquivo vivo de malfeitos. As autoridades competentes deverão tomar todas as providências para proteger a vida do bicheiro.
Nunca é demais lembrar que o pior corrupto é o corrupto “da esquerda”. Faz suas trapaças e acusa quem quiser investigar de “conspiração da direita”.
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